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domingo, 13 de maio de 2012

Morro do Lampião

Sexta, 11, todas as previsões de tempo: chuva nos três períodos, com pancadas em toda a Ilha de Santa Catarina. Sábado, 12, 8h20: sol radiante, céu aberto e miopia aguda na meteorologia. Sete abnegados contrariam os prognósticos e desafiam a natureza para "atacar" o Morro do Lampião...
O Morro do Lampião recebe esta denominação porque, na década de 1940, nativos da região subiam o morro com suas precárias lamparinas para orientar os aviadores de ocasião para que não trombassem no acidente geográfico. As fracas luzinhas amareladas evitavam que pilotos como Antoine de Saint Exupéry espatifassem seus teco-tecos na mata fechada...
O Morro do Lampião desafia não só os experientes aviadores, mas também os saudáveis pulmões. Por uma trilha a partir da rua Pau de Canela, a subida é íngreme, exigente, severa. Suamos às bicas, mas poucos minutos depois, temos um visual que rouba nosso fôlego... (Enquanto isso, na Manchúria, começa a chover com força...)
A trilha é aberta, ampla e só provoca mesmo quem se aventura a subir. Ângulos superiores a 45 graus exigem força de vontade, preparo físico, tenacidade e alguma privação de sentidos. Subimos, arfando, e avistamos a Ilha do Campeche... Na Escandinávia, precipitação de 25 milímetros... Por aqui, só suor...
Em Kuala Lampur, chove sem dó. Na Ilha de Santa Catarina, um sol senegalês...

Num dos mirantes do Morro do Lampião, avistamos a Ilha do Campeche; noutro, a Lagoinha e a Lagoa do Peri; opa! Olha lá, a Lagoa da Conceição! Isso mesmo! Talvez este seja o único local em que se possa visualizar as três formações...
Uau! Como chove nesta terra!
Em Joahesburgo, 10 mililímetros de precipitação. Na Ilha de Santa Catarina, nem uma gota sequer. Nada como se apoiar em modelos matemáticos...

De um dos mirantes do Morro, a vista exibe parte da ocupação no sul da Ilha. Condomínios se espraiam nos terrenos; casas se estendem por longas faixas de terreno; "filés" verdes resistem na paisagem, enquanto encorporadores fazem as contas para ver se vale a pena lançar suas fichas...
Enquanto a chuva castiga (a planície do Senegal), aviões perfuram as nuvens que pairam sobre a capital catarinense... Meteorologistas são avistados em fuga para o leste da Ilha, onde aconteceria um almoço secreto... Contam as más línguas que eles chegaram a discutir o uso do sistema cara-coroa para determinar a previsão do tempo, após o fragoroso erro de cálculo do sábado, quando não choveu uma gota sequer no sul da Ilha...
...
Fim da trilha... Morro do Lampião conquistado! Visual de 360 graus com visibilidade mediana, vento moderado e companhia mais que agradável. Nenhum incidente registrado na ocasião, exceto escorregões isolados na descida final. Ao menos não choveu, conforme agouraram os meteorologistas...
Em Manaus, Iwo Jima, Veneza e Cairo, chuvas ocasionais. Na Travessa Revoar das Corujas, num dos points mais hippies da Ilha de Santa Catarina, nadinha de chuva. Vai errar assim na Conchinchina! Mais uma trilha bem sucedida! Que venha o próximo destino! Faça chuva ou sol!!! 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Na trilha da Costa e do amigo

Trilha da Costa da Lagoa e amigo secreto com o Fazendo Trilhas!
Dia 17 de dezembro de 2011

Começamos a trilha lá no caminho dos Araçás
A trilha, que já tinhamos feito antes, continua estonteante. Sábado foi o dia perfeito, com um sol maravilhoso, poucas nuvens e muitas paisagens belas

Na entrada dos Araçás, nós e a natureza

Uma das muitas construções antigas da Costa da Lagoa

Flores nunca são demais

A vida difícil de um gato manezinho da Ilha

 
O verde

No restaurante Terramar, nos juntamos ao pessoal do Fazendo Trilhas pra comer um camarão, um peixinho e bater um papo

Chegou a hora do amigo secreto, e das surpresinhas que reservamos aos queridos coleguinhas..

 
A grande felizarda, na minha opinião, foi a Teresinha Tessaro, que levou para casa uma linda caneca personalizada do Luan Santana. Olha a cara de felicidade dela.

Mais um dia de interação com a natureza e nossos queridos amigos das trilhas. Queremos agradecer este ano especial ao Joel e à Ana, os "chefes" do Fazendo Trilhas, que com sua atenção e amizade estão sempre nos proporcionando momentos inesquecíveis. Um beijo e até 2012!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Na trilha da Ponta do Rapa

Trilha da Ponta do Rapa, no  extremo norte de Floripa
Dia 4 de dezembro de 2011

 
Saída na Praia Brava, devidamente uniformizados

Vista da primeira parada. Ao fundo, a Praia Brava

 
Segunda parada, um lugar mais lindo que o outro

Hora do descanso e do lanche. E quem ficou esperto, comeu um chocolate...

 
Papai Joel  e seu bastão mágico

Acabamos a trilha na praia da Lagoinha, já escurecendo o dia. Viver nessa ilha é um privilégio, nós sabemos...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Trilha Extremo Sul

7 de novembro de 2011 - Trilha junto ao Fazendo Trilhas no Extremo Sul da Ilha de Santa Catarina, com passagem pelas praias de Naufragados, Saquinho, Solidão, Açores e Pântano do Sul. Quem foi de busão, marcou encontro no TICEN para sair em grupo. Às 9 da manhã, muita gente reunida no Terminal do Rio Tavares, esperando o restante do grupo chegar.

Já no TIRIO, enquanto esperávamos pela tropa toda, rolou até uma pipoquinha do Figueira (para felicidade da Terezinha Tessaro)

Chegando na Caieira da Barra do Sul, começamos a subida do morro que leva à praia de Naufragados. Ô subida puxada (principalmente para quem está sem se exercitar há semaaaaaaaaaanas). Cruzamos relativamente rápido o morro e, ao chegar em Naufragados, paradinha básica para lanche e as primeiras fotinhos em grupo.

O próximo passo foi conquistar o morro que nos levaria ao Saquinho. As subidas são íngremes nesta etapa porque, afinal de contas, morro é morro. Passamos pela Ponta do Frade e paramos para almoçar na chamada ponta do Pastinho. Cada um escolheu uma pedra simpática e se escarrapachou nela. Rolou um bolinho de milho, feito pela Terezinha Tessaro. Acho o nome Comendo Trilhas, por sinal, bem simpático.

Mais alguns quilômetros nos levaram à praia do Saquinho. Por causa da dificuldade de acesso, o lugar é isolado e bastante limpo. A água é geladérrima e está ao alcance dos mais corajosos. As dezenas de tatuíras estão à disposição dos mais famintos.

Na praia da Solidão, a última parada turística foi a visita à Cachoeira do Rio das Pacas. Muita gente exausta mas, já que estávamos lá, não custava dar mais uma esticadinha. A subida foi de ma-tar (pessoalmente, botei os bofes pra fora). Lá em cima, encontramos uma pequena queda d’água, que escondia uma caverna mais ao fundo. Entre nós, apenas 4 trilheiros ganharam o Troféu Coragem, ao cair de boca nas águas gélidas da cachoeira.

A aventura estava quase acabando. Eu, é claro, tinha que terminar o passeio com estilo, me desequilibrando no último passo da descida e enterrando o pé direito numa poça de água monumental. E o Joel, é claro, tinha que fotografar o momento.

Chegamos à praia dos Açores perto das 16h. Logo que o grupo colocou o pé na praia, a chuva que vinha ameaçando resolveu cair. Quem tinha uma canga na mochila se cobriu, mas a maioria do grupo ficou encharcado. A única espertinha foi a Mileide, que trouxe uma capa de chuva e se safou do banho. Desesperados, aflitos e hipotérmicos, corremos rumo ao primeiro refúgio disponível, um pedacinho do céu no Pântano do Sul. Deste momento em diante, deixo em aberto o relato para quem permaneceu no restaurante. Meu desespero de chegar em casa, tomar um banho e fazer uma master xícara de café era tanto que acabei me despedindo do pessoal mais cedo. Mas, pelo que ouvi falar, os camarões estavam espetaculares...


Curiosidades desta trilha:

a) Estávamos em 24 aventureiros neste passeio. Trilha de intensidade difícil.
b) Encontramos uma panapaná no caminho até a praia do Saquinho. Segundo o Aurélio, é este o termo para um bando de borboletas. Acredito que a espécie que vimos seja a Morpho achilles achilles, popularmente conhecida como Capitão do Mato. 
c) Segundo os trilheiros Willians e Ricardo, as frutinhas amarelas que vimos pelo caminho são as gabirobas. O cheiro lembra ligeiramente o do maracujá. Segundo a Dona Wikipedia, dá para fazer geléias, sucos, doces, sorvetes, pudins, licores e batidas de gabiroba. Outra opção são as gabirobas curtidas na cachaça. 
d) Percorremos um total de 13 km. No mapa abaixo, dá pra ter uma ideia do tamanho da encrenca.





Fotos: Ana Paula Laux, Fazendo Trilhas

domingo, 21 de agosto de 2011

Na trilha de Naufragados (de novo!)

INÍCIO DA TRILHA: 14:30h

Engana-se quem pensa que basta fazer um percurso uma vez para se conhecer o caminho. Uma trilha reserva detalhes e mistérios que se revelam aos poucos. Refazer trechos é reviver a jornada. Por isso, a segunda vez que fizemos a Trilha de Naufragados - no sábado, 20 - não foi apenas um dèjá vu. Se antes nos aventuramos sozinhos, agora trouxemos um peso extra (veja na foto abaixo, roendo as unhas) e nos juntamos ao grupo do Fazendo Trilhas.


A Trilha de Naufragados é uma das mais antigas de Florianópolis. Na verdade, esses caminhos se confundem com a própria história da cidade. A localidade é cercada de lendas e relatos que datam do século 16, quando pelo menos dois grandes naufrágios aconteceram naquelas águas. Em 1516, uma das embarcações da esquadra de Juan Díaz de Solís veio a pique, mas alguns sobreviveram e se refugiaram na praia, junto com os índios carijós. Nove anos depois, o navio São Gabriel afundou por ali, o que reforçou a fama do lugar. Não à toa, passaram a chamar de Ponta dos Naufragados, o que não impediu que mais desastres acontecessem por ali nos séculos seguintes.

 
No extremo sul da Ilha de Santa Catarina, a ponta e a praia dos Naufragados mantêm-se isoladas na medida do possível. Não existe energia elétrica nas poucas casas e alguns costumes permanecem centenários. Para chegar até lá, deve-se ir até a Caieira da Barra do Sul e seguir por uma trilha íngreme no meio da mata. Um caminho agradável, mas que faz os caminhantes suarem e perderem o fôlego...

 
Quando os trilheiros estão prestes a desmaiar, param para tirar fotos (e serem atendidos pelos paramédicos de plantão).

 
Tem gente que não perde o ânimo e até faz dancinha de Smurfs...

Embora o caminho exija tônus muscular e bom preparo físico, o pequeno Vinicius não se queixa: está cercado de fãs... 

 
Desta vez, a trilha foi super-ultra-mega-giga-familiar. Foram amigos, filhos, pais e até a Aika, irriquieta mascote da Cacau Timm.

Diego, por sua vez, fez a trilha como quem faz promessa: colocou a camisa do time com devoção, rezando para um bom resultado no domingo. (Reze mais, Diego...)

Mas dizíamos que Naufragados é carregada de história. Para além de cemitério de navios, a localidade era estratégica para a defesa da Ilha. Em 1861, foi instalado um farol para orientar os navegantes e para reforçar o sistema de segurança da região. Próximo dali, surgiu o Forte Marechal Moura de Naufragados e o conjunto de canhões que até hoje estão apontados para o mar.

Do farol, tem-se uma das vistas mais sensacionais do sul de Florianópolis. Mas lá também é uma esquina dos muitos ventos que varrem a Ilha.

Na verdade, dizem que o Vento Sul mora por ali. Um vento que levanta a saia das moças, que remexe as folhas do quintal, que arrebenta a linha da pipa, que enverga as varas de pescar...

Um vento que traz más notícias, que sopra segredos, que carrega bons augúrios e que coloca os cabelos pra cima...

 O mirante do farol permite visões como a de cima...

... e ao lado dos canhões de 120 milímetros, construídos em 1893, pode-se ter essa vista. Ou esta mira...

 
O precário equilíbrio das pedras de hoje faz lembrar a fragilidade da Ilha de séculos atrás. O sistema de defesa não funcionou. Houve invasões, disputas aconteceram, e a Ilha foi se reconfigurando. Não tanto nos seus contornos, mas no seu interior.

Hoje, a Ilha de Santa Catarina tem 400 mil habitantes e sofre outras invasões: de turistas no veraneio; de quem busca qualidade de vida ao longo do ano inteiro.

A Ilha sofre novas invasões, e a Trilha de Naufragados continua sendo a única ligação terrestre entre a ponta que assistiu tantos barcos adernarem e os caminhos que partem do sul. Curiosamente, quase quinhentos anos depois, as pessoas continuam caminhando por ali e se afogando naquelas belezas naturais...

FINAL DA TRILHA: 18:30h

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Na trilha do Morro da Boa Vista


O trilhismo também tem seus clichês. Um deles é reforçar a ideia que toda caminhada dura leva a um destino recompensador. Assim, mesmo sob extremo cansaço, desidratado e prestes a desistir, o trilheiro renova suas energias e segue adiante. Após tanto sofrimento, ele terá direito a algo que realmente valha a pena. Pois esse clichê e outros tantos têm lá suas parcelas de verdade. A Trilha do Morro da Boa Vista é um exemplo.


Para trilhar esse caminho, siga para o sul da Ilha de Santa Catarina, na direção da Lagoa do Peri. Indo pela SC-406, contorne o Morro das Pedras e fique esperto, pois logo adiante à direita está a entrada do Parque Municipal da Lagoa do Peri. 


A lagoa em si já é um visual à parte: uma porção de água doce de tom caramelado e serena como a brisa. A moldura é a densa mata que se avista ao longe. Garças brancas e pássaros de outras cores dão rasantes na superfície imperturbável da lagoa, cuja água ajuda a abastecer as comunidades no sul da ilha. Pescadores se aventuram no canal da lagoa, profundo e com correnteza traiçoeira, e até mesmo um jacaré do papo amarelo mora por lá, reza uma das lendas locais.

Apesar dessa exuberância toda, o destino do domingo era outro, mais belo ainda e isso iríamos descobrir horas depois. O Morro da Boa Vista fica ao norte da Lagoa do Peri. Para ter acesso, há trilhas bem sinalizadas no início, como a da Pitangueira, com caminho amplo, na maior parte do tempo plano e cercado por árvores e relva. Por cerca de 40 minutos, o caminhante apenas passeia, podendo ouvir pássaros, ver plantas e flores, tendo um contato mais light com a natureza.

Mas a trilha do Morro da Boa Vista é de intensidade difícil devido às subidas íngremes e ao terreno local, muitíssimo prejudicado pelas chuvas da semana. Resultado: muito esforço pra subir, muita lama, escorregões e tropeções à vontade.

Para chegar à Boa Vista é necessário suar muito. O Dois na Trilha trouxe um terceiro elemento, de quase sete anos, o que trouxe também preocupações de tombos adicionais. O terceiro elemento não decepcionou por seu preparo físico e disposição, mas sempre é bom avisar: se você não tem um filho super-herói, não traga. Desta vez, tínhamos conosco o Hulk e Harry Potter.

O cume fica a cerca de 200 metros do nível do mar, o que pode gerar incredulidade do leitor: ora, só isso? E cansa tanto?! Sim, cansa. É a metade do que fizemos na Trilha da Pedra Branca, mas a intensidade das subidas e as muitas paradas que fizemos (para que as pessoas recolhessem as línguas que estavam sendo arrastadas pelo caminho) dobraram o cansaço.

Mas vamos lembrar do clichê: uma caminhada dura leva a um cenário recompensador. Por quase duas horas, os trilheiros não apenas evitaram os vexames dos tombos, mas também mantiveram o moral alto. Mesmo mortinhos de cansaço, mantiveram o bom humor e a criatividade. Um dos rapazes à frente da fila decidiu criar uma nova igreja, recheada de misticismo e machismo. “O lema é um só: a mulher que serve ao homem, serve a Deus!”, disse, convicto. A proposição ganhou rapidamente adeptos do sexo masculino, que passaram a seguir seu novo líder. Mas a igreja não durou cinco minutos: uma das trilheiras argumentou sagazmente que a seita teria apenas homens como fieis, e com isso, a igreja implodiu.
(a diagramadora optou por ilustrar o brilhante comentário com o flagrante de aranhas visualizadas pelo caminho)

Mesmo diante de tanta dificuldade para subir, outros trilheiros passaram a ter ideias mirabolantes. (Sim, o cérebro é severamente afetado nessas condições). Para vencer o morro íngreme, o pequeno Vinicius desenvolveu um modelo de propulsão a gás, o que permitiu que ele subisse alguns metros de forma bem ligeira. O sistema causou um efeito colateral: ninguém queria ficar atrás do menino. A brilhante ideia foi também abandonada no caminho.

Marcio, por sua vez, quis implementar uma nova metodologia de rolamento em pirambeiras. Chegou a fazer um primeiro teste, mas foi desaconselhado por sua esposa, Cris, temendo consequências mais graves ao ecossistema local. Na queda, Marcio abriu uma clareira próximo à pedra final do Morro da Boa Vista.

Mas o que leva pessoas em situação extrema ter ideias tão originais? A equipe de neurocientistas do Dois na Trilha explica: em momentos de tensão, medo e angústia, os seres humanos mobilizam seus sistemas de recompensa, estrategicamente localizados nos sistemas límbicos de seus cérebros. A pessoa estabelece uma meta pessoal e canaliza seus esforços para alcançá-la. À medida que vai se aproximando da conquista, renova energias (extrai essas energias não se sabe de onde!!!) e reprograma seu organismo para vencer limites. No caso dos trilheiros do domingo, o sistema límbico se encarregou não apenas de impulsionar os corpos cansados, mas também fez os cérebros extrapolarem suas capacidades habituais (ok, um dedinho de cachaça também pode ajudar).

O sistema de recompensa permitiu, inclusive, que algumas trilheiras enfrentassem um marimbondo (sim, um só!) apenas com seus gritos lancinantes. Acuadas pelo inseto letal, as caminhantes atuaram em grupo, de forma coordenada, e soltaram seus berros, desestabilizando o atacante. Apesar de seus muitos esforços, a equipe de entomologistas do Dois na Trilha não conseguiu localizar o corpo da vítima.

Após suarem barris, os trilheiros chegam ao ponto máximo de sua aventura: o cume do morro. A pedra é estreita e nem todos podem alcançá-la ao mesmo tempo. Dividimo-nos em grupos menores, que sobem alternadamente. Lá de cima, um visual extasiante, deslumbrante, emocionante, luxuriante. Pode-se enxergar a quilômetros de distância e quase que num raio de 270 graus. Vê-se boa parte do sul da Ilha, o Campeche, a ilha de mesmo nome, o Aeroporto Hercílio Luz, o bairro que o circunda, parte da praia do Morro das Pedras, e mais adiante as pontes que ligam a Ilha ao continente e um infinito Atlântico.

(foto: Fazendo Trilhas)
Vitoriosos, os trilheiros fazem um lanchinho, mas se alimentam mesmo é da paisagem única. Mirante inigualável, ponto de vista irrepetível. Temos sol e temos vento forte. Esse mesmo vento que sacode as madeixas das trilheiras massageia os rostos dos mais carrancudos e cansados, e provoca sorrisos e gargalhadas. Todos estão muito felizes, surpresos com a Boa Vista e maravilhados com o privilégio de lá terem chegado. Todos estão renovados. Que bom! Pois a descida não é tão fácil quanto se pensa, e os tombos nos esperam a cada passo displicente. Não tem problema. Agora, está renovado o objetivo também: chegar são e salvo lá embaixo para almoçar, mesmo depois das quatro da tarde, é tudo o que se quer. Retornar pra casa sãos e salvos - embora apertados no banco de trás do carro - também...

(foto: Fazendo Trilhas)