Partimos de Jurerê Internacional em direção à Praia de Daniela. E de lá contornamos a Estação Ecológica dos Carijós, seguindo pela faixa de areia até o Pontal da Daniela. Da praia ao pontal foi sensacional! Ana comemorou a vista deslumbrante com Raquel.
Nosso líder Joel também ficou empolgado. O grupo era grande, cerca de trinta empolgados trilheiros. Por isso, não se fez de rogado e conclamou a todos para a descida do morro.
O percurso foi beeeeemmm tranquilo. Tanto que deu pra tirar fotos do cenário, dos casais, da fauna local...
No caminho para a ponta da Daniela, o sol resolveu aparecer. Caminhamos até o fim da praia, seguindo o mangue e o caminho do mar. A água estava calma demais, praticamente estática.
Neste momento da trilha, chegamos ao ponto onde podíamos ver o forte de Anhatomirim bem de pertinho. Com um pouco mais de vontade, mais fôlego e menos idade, dava até pra chegar nadando à ilhazinha...
Ilha linda vista de longe, minúscula e maravilhosa. O grupo do Fazendo Trilhas parou para registrar todos os ângulos possíveis dessa vista privilegiada.No caminho, muita gente recolhendo lixo deixado na praia por visitantes pouco educados.
A areia do ponto final do mangue fica assim, marcada na sua pequena extensão, toda trançada. Sentamos pra descansar na areia e logo percebemos que a maré subia rapidamente. E o sol foi nos deixando cada vez mais torrados.
Mangue da Reserva Ecológica dos Carijós, lugar onde reina a Sirilândia (nessa altura, a barriga começou a roncar)
Lá do outro lado é Sambaqui. Voltamos perto das 3 da tarde, rumo ao PF mais próximo!!
O almoço foi na Daniela, acompanhado de uma galera super animada. Fisicamente, a trilha não exigiu muito de nós. Afinal, quando cruzamos morros por aí com o pessoal do Fazendo Trilhas, já esperamos enfrentar serpentes mitológicas ou dar de cara com um pé-grande no caminho - tem que ter emoção! No fim das contas, o que vale mesmo é a companhia sde um pessoal que sabe aproveitar as boas coisas da vida.
Até mesmo as coisas mais recentes têm lá os seus clássicos. O clássico é um objeto cercado de aura, recheado de tradição, amado e seguido por um séquito de apaixonados. Entre as dezenas de trilhas pela Ilha de Santa Catarina, a mais tradicional, conhecida e comentada é a que leva à Lagoinha do Leste. Pergunte aos trilheiros e dez em dez recomendarão o destino.
INÍCIO DA TRILHA - 9h
Nossa aventura começou com um calor senegalês num domingo de cinema. Tudo porque a Raquel, devota-mor de Nossa Senhora do Céu Nublado, não acertou as coisas do clima com a manda-chuva lá de cima. Resultado: havia um sol pra cada um. Bravos e avessos a reclamações, nossos heróis mantiveram-se altivos e seguiram adiante.
O grupo era grande, cerca de 35 pessoas, mas não poderia ser diferente. Como dissemos, a Trilha da Lagoinha do Leste está na moda desde que surgiu: há centenas de anos e pelas mãos valorosas de nativos ancestrais. Partimos do Pântano do Sul, subindo o morro que leva ao Parque Municipal da Lagoinha. No começo, a subida é intensa, quase exclusiva para alpinistas. Depois, já na mata fechada, os caminhantes têm contato direto com a natureza. E por “contato direto”, queremos dizer picadas de mosquito, espinhos resvalando nas pernas, botas mergulhadas no barro, quedas apoteóticas, tropeções homéricos nas pedras...
Se a subida no morro é um teste de força e fôlego, na descida, o trilheiro exercita destreza, paciência e alongamento. Ensinam as grandes enciclopédias do trilhismo que subir sempre é mais fácil que descer: o impacto nos joelhos é menor, geralmente usamos os braços para buscar apoio e há sempre algum engraçadinho tentando animar a gente...
Antes da descida, pausa obrigatória para fotos. Um mirante foi especialmente construído no alto do morro. Ambientalistas queixam-se até hoje. Afinal, naquele lugar, ouvimos mais os cliques das máquinas fotográficas que os gorjeios dos pássaros, os silvos das ninfas e o farfalhar das asas das borboletas...
A ladeira leva à praia. Isto é, deixamos o mirante e descemos o morro, chegando ao canto direito da Praia da Lagoinha. À esquerda, cerca de dois quilômetros de orla, com entradas estratégicas para a famosa Lagoinha do Leste. À direita, o não menos legendário Morro da Coroa. Animado, Joel, o guia do grupo, puxou a fila para mais uma escalada. Eufórico, disse: “Afinal, só o cume interessa!”. Os trilheiros entenderam a mensagem, ajeitaram as alças de suas mochilas, encheram os pulmões de ar e lá se foram todos. Epa, epa, epa! Todos, não. Quatro trilheiros decidiram ir direito à lagoinha. Não chegou a ser uma dissidência. Ana Paula sacou a velha desculpa de que estava com bolhas nos pés. Rogério não conseguiu argumentar pois estava sem fôlego. Marina e Marcelo assobiaram, fazendo cara de paisagem.
Lá vão os ilustres partintes. Cá embaixo, ficaram os insignes ficantes. Entendeu? Entendeu? (Por motivos de força maior não detalharemos como foi a aventura no Morro da Coroa. Podemos adiantar que todos os que subiram, desceram. Sãos e salvos).
Mas dizíamos que um clássico é um clássico, e nada tira o seu brilho. A Trilha da Lagoinha do Leste é um clássico. O visual que se tem de suas prainhas acalma até motorista-paulistano-em-tarde-de-engarrafamento-monstro-na-marginal. Uma capa verdejante ocupa dois terços da visão; o outro terço é o azul do céu. A água é salobra, multipovoada por alevinos de todos os tamanhos. Siris acinzentados caminham delicadamente de lado. As águas são calmas, sem ondas. A areia do fundo mais escura que a da praia.
Depois de quase duas horas, o grupo maior se juntou aos abnegados quatro que ficaram na lagoinha. Foram momentos de intenso sofrimento coletivo, apenas comparáveis aos do desfecho da aventura (leia a seguir). Brisa refrescante, água fresca, petiscos e conversas maliciosas sob as sombras espessas da vegetação local... aiai...
Mas este relato de aventura não se chama assim à toa. Os momentos de tensão estavam apenas por vir. O primeiro deles foi a constatação de que todos ou quase todos estavam com seus reservatórios de água praticamente secos. “Como sobreviveremos?”, desesperou-se um trilheiro novato. “Oh, que cruel ironia! Estamos cercados por tanta água e nem uma gotinha é potável!”, arrancava os cabelos uma moça de olhos arregalados. Sereno, o guia Joel tentou acalmar a todos: havia uma mina d'água muito perto dali, bem no nosso caminho de volta. Restituída a calma e impedidos alguns suicídios, juntamos nossas tralhas, digo mochilhas e apetrechos, e seguimos pelos costões rochosos rumo à Praia da Armação. Sim, sim, desembocaríamos num outro ponto de chegada.
O caminho de retorno é mesmo muito diferente. Temos o Atlântico como companheiro no lado direito. As subidas são menos íngremes, mas o percurso é bem mais longo. Há também um extenso trecho sob mata, onde os perigos são outros...
Uma dúvida que assaltou parte do grupo foi de ordem humanitária: “O que faremos com os cachorros que nos seguiram desde a Praia do Pântano do Sul? Eles chegarão com a gente até a Armação e como irão voltar?” Um trilheiro animal arriscou um parecer: “Eles são de rua mesmo, são livres e não têm que voltar!” Outro mais pragmático brincou: “Podemos fazer uma vaquinha para pagar o ônibus de volta pra eles...”
No percurso pela mata, novo momento de tensão. O primeiro pelotão de trilheiros se distanciou muito dos demais. Chegamos a gritar para que reduzissem o ritmo, mas não fomos ouvidos. Apelamos para apitos, trazidos especialmente para momentos de tensão, mas eles não conseguiram nos ouvir. A pressa de acompanhar os líderes causou a primeira vítima: Marina (de preto na foto acima) deu um passo em falso, torceu o tornozelo direito e caiu. Todos paramos. Marina se contorcia de dor e o pé inchou automaticamente. Devidamente treinados para momentos de tensão, alguns trilheiros tentaram minimizar os danos. Ana, condecorada nove vezes pela Cruz Vermelha em missões de salvamento, sacou um tubo de Gelol e uma toalhinha parcialmente umedecida. (Na verdade, a toalhinha estava encharcada de suor. Marina está sendo informada disso justamente agora). Rogério, especialmente treinado pelos Bope, Mariners, Corpo de Fuzilheiros e GI-Joes, esfregou o unguento na colega enferma, e imobilizou o pé com a legendária toalhinha – que também tem experiência em salvamentos na Líbia, Iraque e Afeganistão. Na sequência, teve a ideia de trocar sua bota pelo tênis de Marina. Com isso, deixaria o tornozelo dela mais compacto, protegido pelo cano baixo da botinha, evitando novas torções. Medicada, Marina apoiou-se em outros bravos colegas e foi se arrastando pela trilha...
Já era quase cinco da tarde e havia muito ainda pelo caminho. Um terceiro momento de tensão: nossos víveres tinham terminado, ainda não tínhamos almoçado, em pouco mais de uma hora, começaria a anoitecer. As principais enciclopédias de trilhismo advertem que animais peçonhentos, feras carnívoras e bestas devoradoras de trilheiros costumam se alimentar depois das 18 horas... Para tornar o momento mais tenso ainda, reduzimos muito o ritmo para que Marina pudesse acompanhar e não ficar para o jantar...
Mas nem só de momentos tensos se faz uma aventura. Há também os heroicos, e o melhor deles foi protagonizado por Paulo que, piedoso da amiga, passou a carregar literalmente a contundida Marina nas costas. Em vários trechos de declive, por entre galhos e pedras, Paulo deixou sua mochila de lado para levar uma já desesperada Marina pela trilha. Atrás deles, Williams caminhava calmamente com seu legendário bastão. Praticamente um mestre Yoda, tentou acalmar Marina: “Forças encontrar você vai...”
Apesar de todos os percalços, o grupo inteiro desembarcou nas areias bem sedimentadas da Praia do Matadeiro, bem a tempo de assistir ao final da tarde. Caminhamos até a Praia da Armação, onde – como requer a tradição que os clássicos impõem – nos empanturramos com boa comida. Ah, é verdade. Também sorvemos toneis do precioso líquido da cor do ouro. Marina não mais se queixou. Aliás, ninguém reclamou de nada. Nem mesmo do sol luxuriante e abrasador que nos tostou. Raquel não conseguiu garantir um dia nublado, mas suportou bem as brincadeiras maliciosas de todos e ainda demonstrou grandeza de coração, patrocinando uma porção de polentas para a mesa do lado. Mais um feito heróico nessa tarde épica...
A trilheira Raquel, sócia benemérita do Fazendo Trilhas, tem fortes ligações com o divino. Na verdade, ela é íntima de Nossa Senhora do Dia Nublado, a padroeira dos trilheiros. Sempre que pede um dia propício para longas caminhadas, Raquel é atendida pela santinha. O Dois da Trilha descobriu o motivo: antes de sair de casa, a devota entoa a "Prece a Nossa Senhora do Dia Nublado", que divulgamos com exclusividade.
Madona do céu nublado,
Ouve a prece do trilheiro angustiado!
Senhora que, no céu, estais,
Fecha já as torneiras celestiais!
No episódio anterior, dissemos que "caminhar em grupo sempre é melhor". Uma aventura vale mais quando se tem os amigos por perto. E mesmo quando as coisas não dão muito certo, sempre se tira frutos disso. O grupo é importante, mas dentro do grupo tem a galera. A galera, ensina os grandes compêndios sociológicos, a galera é o ajuntamento social onde surgem as piadas internas, fortalecem-se os grandes laços de amizade, compartilham-se segredos infindáveis... Pois em nome da "galera", deixamos de fazer a Trilha do Travessão, organizada pelo Fazendo Trilhas, e partimos para um roteiro alternativo. É que nem todos os membros da galera conseguiram vagas no passeio do FT e por isso fizemos do Plano B a aventura do sábado, 26.
O tal Plano B era simplesmente conhecer a mítica Ilha do Campeche. E não é que a saída foi simplesmente sen-sa-cio-nal? Mas como já ensinou o rapaz dos becos de Londres, "vamos por partes".
Destino: Ilha do Campeche.
Transporte: barco da Associação dos Pescadores Artesanais da Praia da Armação
Duração da travessia: cerca de 40 minutos
Condições meteorológicas: céu nublado, mormaço e ameaça de chuva a qualquer momento
Condições do mar: levemente mexido com ventos fortes, gelados e úmidos
Ocorrências na travessia: nenhuma e o convés continuou limpinho
Pode-se ir à Ilha do Campeche de três diferentes pontos de embarque:
1. Direto da praia do Campeche, em botes menores, de forma mais rápida (5 minutos) e a um preço em torno de 50 reais por pessoa. Cruza-se o mar rapidamente, e os passageiros molham-se mais frequentemente.
2. Da Barra da Lagoa, o percurso é o maior e leva em torno de hora e meia. Só o trajeto já vale como um passeio.
3. Da Praia da Armação, a 35 reais por pessoa, em baleeiras ancestrais que costeiam as praias da Armação, Morro das Pedras e Campeche, e depois em ângulo reto, chega-se à Ilha do Campeche.
No registro, parte da galera: à esquerda, Williams, a misteriosa e recém-integrada à trupe Marina, e o "menino do Rio" Paulo, um carioca que está quase ganhando o passaporte manezinho... além deles, a galera tinha ainda Ricardo, Rogério, Ana e o pequeno Vinicius
Logo no início da aventura, Ana tremia de frio no convés do barco, temendo que o tempo virasse e que tivéssemos chuvas no sábado. O "pressentimento" se dissipou quando ela viu o nome da embarcação que nos levava à Ilha do Campeche. Era o barco "Pirata". Quer dizer: estávamos amparados pela sorte e pelos bons ventos. Jack Sparrow estava conosco...
Quase, quase lá... A Ilha do Campeche é uma formação protegida e existem diversos cuidados para preservá-la. Por dia, até 800 pessoas podem visitá-la. Há um rigoroso controle sobre lixo e dejetos que podem ser deixados por lá. Não se pode "trazer lembrancinhas" de lá. Nem se deve alimentar os quatis...
A primeira coisa que fizemos ao desembarcar na Ilha do Campeche foi reconhecer o perímetro, o que significa identificar se existe algum bar ou restaurante nas cercanias. Mapeamos duas opções. Ficamos com o "Restaurante da Ilha", que pertence ao Poeta. Como era de se esperar também, o pequeno Vinicius deu seus berros primatas, como quem celebra os bons momentos.
A Ilha do Campeche tem uma pequena porção de areia apenas. É por lá que se desembarca. Nos demais lados da ilha, apenas costões rochosos. Os barcos chegam pertinho da praia, mas não há píer para atracação. Essa medida possibilita duas coisas: a) restringe-se o número de barcos, reduzindo o impacto no mar; b) faz com que os visitantes comecem a jornada, molhando as canelas - às vezes, mais... - nas águas geladinhas.
Foto oficial da galera. Ana não aparece pois está atrás das lentes...
Por causa deste registro, quase este blog mudou de nome. De Dois na Trilha passaríamos para Two and Half Trekkers. Chegamos a considerar a ideia, mas acho que Charlie Sheen não gostaria nem um pouco da brincadeira...
Uma das visões privilegiadas da praia na Ilha do Campeche é a sucessão de planos montanhosos. Note que é possível ver dois ou três planos de morros, quase formando uma fila. Para se ter uma ideia, dá pra ver até mesmo a Pedra Branca, na Grande Florianópolis
Algumas opções de lazer na Praia do Campeche: a) fazer as trilhas monitoradas pela mata, conhecendo a flora e a fauna locais; b) mergulhar nos rochões e apreciar peixes, algas e demais objetos submersos; c) lagartear nas areias brancas, limpas e reconfortantes; d) espreguiçar-se nas cadeiras do bar e sorver quantidades industriais de cerveja e caipirinha.
Williams e Ricardo se aventuraram a fazer a atividade (b). Depois, fizeram a atividade (a), com Ana, Rogério e Vini.
Paulo - sem camisa - e Marina - com camisa, branca - optaram pela alternativa (d), mas não em doses industriais.
Por conta das chuvas das últimas semanas, apenas uma trilha estava em condições de aproveitamento no sábado: a Trilha da Pedra Fincada. É um caminho bem sinalizado, bem conservado, que dura meia horinha e só pode ser feito na companhia dos experientes guias. Charles, que estava conosco na vinda da Armação - veja a primeira foto deste post -, foi nosso líder na atividade.
Antes de ter contato com espécies nativas e exóticas, fomos apresentados ao Seu Cardoso, considerado uma espécie de guardião da ilha. Simpático, sorridente e conversador, Seu Cardoso contou que frequenta a Ilha do Campeche há mais de cinquenta anos. Durante muito tempo, pagou com as mensalidades da Associação Couto de Magalhães, que ajuda a conservar o local, "mas quase nunca vinha pra Ilha".
De uns tempos pra cá, vem morando no local. "Não volto pra casa há mais de um ano. Minha mulher me liga quatro vezes por dia. Mas ela está com osteoporose e já não aguenta mais embarcar e desembarcar", explicou.
Seu Cardoso não pareceu muito triste com esse autoexílio. Williams e Rogério se mostraram simpáticos à ideia...
O pequeno Vini é um tubarãozinho sedutor. Não começou a trilha sem um abraço e uma foto com uma das monitoras... esse moleque!!
Figueira Mata-Pau, Tiê Sangue, Gravatá, Paina, fragatas, atobás, orquídeas, palmeiras e bromélias diversas estão pelo caminho. Uma turma de galinhas d'angola também apareceu...
Passamos por basicamente dois ambientes: a Mata Atlântica, densa, úmida e envolvente; e o Costão Rochoso, agreste, ventoso, com vegetação arbustiva e visuais impressionantes.
Lá embaixo, as rochas onde os ancestrais habitantes afiavam suas ferramentas e armas...
Tá vendo como o tempo nublado não causou nenhum transtorno na aventura? Também com uma paisagem dessas...
Passos pela trilha, olhares deslumbrados.
A vedete da trilha, a tal Pedra Fincada. Segundo Charles, o guia, ainda é misteriosa a sua origem e função. Talvez a sombra da pedra servisse como ponteiro de um relógio de sol. Talvez...
Não propriamente um novato, o pequeno Vinicius se sentiu muito bem ambientado na Ilha do Campeche. Subiu em pedras, fez a trilha, devorou batata frita e ainda correu pelas areias da praia como seus amigos Alex, Marty e Mort, do desenho Madagascar. Afinal, como diz a musiquinha: "Eu me remexo! Eu me remexo muito! Eu me remexo! Eu me remexo muito!"
Por uma questão de segurança, Ana segura Vini (pelo pescoço!), para que ele não salte no mar... sabe como é...
Antes de deixarmos a Ilha do Campeche, quatro horas depois de termos desembarcado, fomos visitados por ilustres invasores: os quatis. Esses pequenos mamíferos não são nativos de lá, e foram introduzidos pelo homem. São como pragas: reproduzem-se como coelhos, devoram tudo o que existe pela frente, são fofinhos, o que faz com que quase todo mundo os alimente. Dizem que, por ano, são retirados da ilha quase trezentos exemplares desses bichinhos para que não haja desequilíbrio ambiental.
Que dar um 360 graus na praia da Ilha do Campeche? Faça isso assistindo ao videozinho, mas cuidado com "a surpresa final"...
Por falar em final, a aventura do sábado não poderia terminar de outra forma se não na forma de confraternização. De volta à Armação, nos lançamos à praia vizinha, a do Pântano do Sul, com destino ao Restaurante do Arante, um dos mais tradicionais da Ilha de Santa Catarina.
Eram quase quatro horas da tarde, mas isso não é bem um problema por lá. Fomos muitíssimo bem-recebidos com cachacinhas de cortesia e um banquete inesquecível: bifê de peixes e frutos do mar.
De forma solene e ordenada, fizemos uma fila diante de tigelas, gamelas, panelas repletas de camarões, ostras, mariscos, berbigões, peixes diversos, lulas, pirões, saladas e demais acompanhamentos de fazer babar.
(Por favor, leitor, limpe o queixo...)
Concentrados, fizemos silêncio por minutos. A mesa era só gemidos e interjeições prazerosas.
Plenamente satisfeitos, os convivas se desmancharam em adjetivos e descobriram o que significa um Plano B: Plano Bárbaro!