Recebemos milhares de cartas e mensagens eletrônicas de fãs que nos pedem dicas de como fazer uma boa trilha. Respondemos na medida do possível, e para ajudar muita gente, vamos oferecer agora um manual para levar criança em aventuras como as nossas. Esta é uma das dúvidas mais frequentes, e como a trilha que fizemos no domingo não é inédita (leia o relato aqui), vamos fazer a felicidade geral da nação.
Trilhas, expedições, travessias e peregrinações são programas perfeitos para levar os pequenos. O contato com a natureza, o convívio em família e a atividade física são apenas alguns argumentos de pedagogos, psicólogos e educadores. Esses especialistas, no entanto, ignoram aspectos que não podem ser ignorados antes de submeter seus filhos a riscos de vida, traumas variados e extenuantes rotinas de exercício físico...
Uma boa trilha começa no dia anterior, com a preparação das mochilas e demais apetrechos. Planejamento é fundamental. Os pais devem separar mantimentos, líquidos, equipamentos de segurança e kits de primeiros socorros. Dardos de tranquilizante também podem ser úteis. Tudo deve estar igualmente dividido em mochilas, tanto para adultos quanto para crianças. Cada participante deve levar a sua, independente da idade, tamanho ou peso da mochila. Conselho útil para famílias com crianças saltitantes...
Que alimentos levar? Sanduíches sem maionese (e sem salmonela), frutas (sem caroço) e biscoitos diversos. Não levar balas nem chocolate. As primeiras são difíceis de resgatar em gargantinhas estreitas, e o segundo atua como anfetamina natural, gerando uma reação em cadeia no organismo infantil, disparando energia infinita e impossível de ser contida.
Líquidos não podem ser esquecidos. São recomendados litros de refrigerante, por ajudar em divertidas sessões coletivas de arroto pela mata.
Antes de partir para a aventura, cheque o visual da garotada. Nada de túnicas com cores sóbrias e sem vida. Vista os pequenos com trajes confortáveis – e que não piniquem! - e de cores berrantes, que auxiliam a identificação a longa distância em possíveis resgates aéreos. Nada de tênis ou sandalinhas. Nem crocs. Tênis permitem escorregões, sandálias deixam aranhas entrar e crocs dão um chulé apocalíptico. Botinhas são as melhores opções: evitam torções, protegem as unhinhas encravadas e ficam uma beleza quando enterradas na lama.
Bonés também são importantes. Enterre um na cabeça no seu filhote.
Por fim, besunte as crianças com filtro solar fator 60. Para que o efeito seja satisfatório, passe duas “demão”, elevando o fator de proteção para 120. Seus filhos ficarão levemente esbranquiçados, mas quase impermeáveis. Passe da cabeça aos pés, inclusive nos cabelos e axilas.
Mas qual a idade mínima para levar uma criança para a trilha? Especialistas de todo o planeta divergem neste quesito. Use critérios igualmente científicos para definir isso: se seu filhote já anda e se alimenta sozinho, não tem nenhuma doença que possa infectar os demais trilheiros, e consegue carregar sua mochilinha, está na hora!
Podemos levar brinquedos? Não precisa, já que animais peçonhentos, monstros devoradores de trilheiros e enxames de insetos são diversão garantida nas trilhas. Apenas leve brinquedos se seu filhote fizer muito mimimi.
E se acontecer algum acidente na trilha?
Primeira coisa: mantenha a calma e não chore na frente das crianças. Elas, geralmente, têm pouca paciência nesses casos. Segundo: use o kit de primeiros socorros, acione o resgate de profissionais e, se você ainda estiver desesperado, recorra aos dardos de tranquilizante. Em hipótese nenhuma, entre em pânico. No meio da confusão, você pode até perder as crianças na floresta...
Trilhas não são sinônimos de estresse, medo, contusões ou desaparecimentos coletivos. Também não rimam com insolação, afogamentos e desarranjo intestinal. Trilhas podem ser inesquecíveis experiências familiares. Campeonatos de peidos, cantorias desafinadas e puxões de cabelo podem ser bem divertidos se você seguir estes nossos conselhos.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
domingo, 8 de janeiro de 2012
Na trilha da Lagoinha do Leste (again) e Morro da Coroa
Para fazer a trilha mais conhecida da Ilha você não precisa procurar muito. Dê um Google e aparecem mais de 33 mil resultados. Por isso, não vamos perder tempo dando indicações. Mais importante é contar como foi a aventura do último sábado, quando cerca de vinte amigos percorreram mais uma vez o caminho do paraíso.
Contrariando as expectativas, os comandantes do Fazendo Trilhas – Joel e Ana – não puderam liderar a trupe, pois estavam se aventurando em outras coordenadas. Contrariando a razão, topamos ser liderados pelo Tom Floripa: um perigo, é verdade, mas estávamos sem fazer nada em casa...
A proposta era fazer um mutirão de limpeza pelo caminho, retirando toneladas de resíduos sólidos deixados por contumazes porcalhões. Mas o que se viu ao longo do dia é que a missão fracassou: não houve coleta porque contrariando (de novo esse verbo? Não tem outro não?), porque surpreendendo a todos (ah! Ficou melhor agora!), surpreendendo a todos a trilha estava muito limpa. Daí que foi pro saco o propósito de falar de consciência ambiental como motivador do espírito de aventura. Falemos de outros temas: joelho, por exemplo.

Concentrado logo cedo na frente da Igreja da Armação, o grupo partiu para a Praia do Matadeiro, onde no final há o início da trilha propriamente dita. Dia de sol radiante, de ar levemente abafado, mas céu limpo. Na noite anterior, um dilúvio caiu sobre a cidade. No Facebook, alguns tentaram convencer que não seria uma boa fazermos o percurso (afinal, era o Tom Floripa que iria nos guiar...). Além do que poderia ter muita lama e condições acidentadas no trajeto, ou quedas de barreiras e sequóias, ou ainda a infestação de monstros devoradores de trilheiros... Nada disso! O dia estava perfeito para fazer atividade física, ter contato com a natureza e conviver com amigos. Duro é convencer os joelhos da gente...

A trilha da Lagoinha do Leste é um destino de paisagens estonteantes e vistas espetaculares. O caminhante vai recortando os morros, observando as encostas e se animando com os visuais que se descortinam a sua frente. Os passos são firmes, decididos até que, para desviar de uma árvore, você bate com o joelho esquerdo numa rocha. Neste instante, o sol mergulha no mar, a escuridão invade seus olhos e você enxerga... estrelas! Por um segundo interminável você imagina o estrago feito: ossos esmigalhados, cartilagem rompida e nervos dilacerados. No segundo seguinte, ainda sem coragem de abrir os olhos, você contabiliza o prejuízo: putz! O tendão patelar foi pro saco! Nossa! Cadê o meu menisco? Meeeeuuu! É isso o que sobrou de meus ligamentos? Mais um segundo e você já imagina o que acontecerá: vão tentar imobilizar a sua perna, pelo celular chamarão o helicóptero de resgate, haverá comoção no grupo, corre-corre no setor de emergência e manchetes nos jornais do dia seguinte. Que nada! Você é um aventureiro, um desbravador, um trilheiro, quase um super-herói. Você respira, engole o choro e ri amarelo para o colega ao lado que está com os olhos esbugalhados. Com o rosto parecendo uma uva passa, você ordena: “Vai na frente que eu quero fazer um xixizinho...”

Nada é melhor do que uma trilha para que a pessoa conheça o próprio corpo. Se você faz academia ou treinamento com os fuzileiros navais, saiba que isso é moleza. Se você é especialista em anatomia humana, numa trilha acaba descobrindo que não sabe nada. A trilha não é um programa de final de semana, não é um pretexto para a reunião de amigos, é um contato direto com o seu ser. (Ficou boa essa parte, hein? Vou evoluir um pouco mais...) Um contato direto com o seu corpo físico, com a consciência que tenta comandá-lo e com o espírito de determinação. Numa trilha, o organismo humano é submetido a rigorosos testes de fadiga, estresse e pressão social. Não bastasse a exaustão, tem as gracinhas que se ouve dos mais amigos quando você é o último a chegar ao destino se arrastando feito uma lagarto e com meio metro de língua pra fora...
Numa trilha, as paisagens paradisíacas servem como alento. Os sons dos pássaros e os perfumes locais despertam os sentidos, mas só você sabe quanto está cansado naquela subida íngreme ou desesperado ao passar rolando na descida. Mas, sabe, joelho é super importante...

Os joelhos compõem a principal articulação do corpo humano. Eles sustentam dezenas de quilos durante a vida toda de forma eficiente, e quando se queixam disso, você acha uma besteira. “Esse meu joelho não é de nada!” E você se esquece das muitas vezes que carregou a amada nos braços, sobrecarregando os SEUS amortecedores, dos momentos em que sustentava engradados de cerveja, pressionando as SUAS articulações.
Mas a Trilha da Lagoinha do Leste é a eleita por dez entre dez caminhantes não apenas pelo percurso. Tem a lagoinha propriamente dita - um recanto especialmente projetado para almas preguiçosas - , a larga faixa de areia na praia – convite a longas jornadas de sono -, e o mar – agitado, limpo, geladinho e irresistível. Tem ainda o Morro da Coroa, uma tentação para aventureiros incansáveis e espíritos indômitos.
É isso mesmo. Engatamos uma segunda marcha e desafiamos a gravidade novamente. Sim, eu sei, tem o joelho...

O Morro da Coroa assusta a quem olha pra cima. Não chega a ser um Kilimanjaro, mas a subida é íngreme, sem trilhas que permitam ziguezaguear até o alto. Tradução: tem que escalar, equilibrar-se entre pedras. Experientes, escolhemos o melhor horário para atacar o morro: meio-dia! O sol fritava os miolos de todos, curtia o couro dos pelados e esturricava o resto de razão que tínhamos preservado.
Como já dissemos, nada é melhor do que uma trilha para que a pessoa conheça o próprio corpo. Na escalada, você tem plena consciência corporal de ossos, músculos, nervos e articulações. Quando falta ar – quase sempre! -, você se lembra de que deveria ter comprado mais um pulmão naquela liquidação do mercado negro de órgãos. Você não mais sente o coração pulsar no peito, ele está em sua boca. A sua pressão arterial subiu até a estratosfera e você passa a enxergar pontos brilhantes do céu azul. A boca seca, você sua em bicas e pensamentos insanos assaltam a sua mente: apesar de tudo aquilo, você não quer parar, não pode parar e não vai parar até chegar.
Cientistas renomados das universidades de Boston e Merdon já efetuaram testes em trilheiros nessas condições e não souberam responder por que esses caras agem assim. Seus joelhos estão destroçados, mas a fibra permanece...

A escalada exige tempo. Determinação (ou teimosia) há de sobra. Cada trilheiro sobe conforme pode, importante é chegar, é desafiar limites pessoais. É vencer a si mesmo.
Assim, quando chegamos ao topo, ninguém contém o sorriso. Afinal, o mundo está a nossos pés...

O vento no rosto, o sobrevôo das aves muito próximo, o sol ao alcance da mão. No alto do morro, as rochas em forma de cunha estão encravadas no solo, formando uma bizarra coroa. Debaixo de algumas delas, descansamos por alguns minutos. Retomamos o fôlego. Lá de cima, a vista recebe todos os superlativos possíveis. Volúvel, o mar altera suas cores a cada centímetro observado. Sopra um vento morno e é preciso voltar.

Numa só palavra a subida é sofrida. Numa só palavra a descida é perigosa.
O escalador encaixa os pés nas fendas forçando uma espécie de degrau que permite equilibrar o corpo. Um passo por vez e a força da gravidade puxando pra baixo. Pedras soltas provocam ligeiros tombos. Nada grave. Escoriações. Mais do que a subida, a descida desafia os joelhos. O impacto nas articulações é maior. Toneladas sobre os ligamentos. Você respira e tenta ignorar os estralos que ouve a cada passo. Você apenas desce. Inspira-se no Atlântico, logo ali, piscando pra você... sacaninha... Depois de aportarmos na praia e beijar o solo, como João Paulo fazia, corremos para o mar. Água transparente, gelada, refrescante, limpa, esfuziante, espumante, sensacional. Um prêmio. Dá até vontade de beber...
Na água, com o corpo malemolente ao sabor das ondas, você faz como os jogadores de futebol após uma batalha em campo: tratamento para relaxamento muscular. La-rá... vidinha mais ou menos...
Você lembra de como teve contato com a natureza: arranhou as pernas nos espinhos, levou galhadas no rosto, teve o vento nos cabelos, sentiu o perfume do mato molhado, o sol queimou sua pele, o mar refrescou sua pele, a pedra beijou seu joelho...
De lá, vamos pra lagoinha nos refrescar porque ninguém é de ferro... mais alguns banhos restauradores, regados a muitas gargalhadas, e afivelamos as mochilas novamente. Há a possibilidade de voltarmos pelo mar em embarcações contratadas. Mas que nada! Vamos mesmo pelo caminho que leva ao Pântano do Sul. É uma trilha, xará!
Mas e o joelho? Ora, pra que servem bolsas de gelo?
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Na trilha da Costa e do amigo
Trilha da Costa da Lagoa e amigo secreto com o Fazendo Trilhas!
Dia 17 de dezembro de 2011
Dia 17 de dezembro de 2011
Começamos a trilha lá no caminho dos Araçás
A trilha, que já tinhamos feito antes, continua estonteante. Sábado foi o dia perfeito, com um sol maravilhoso, poucas nuvens e muitas paisagens belas

Na entrada dos Araçás, nós e a natureza

Uma das muitas construções antigas da Costa da Lagoa

Flores nunca são demais

A vida difícil de um gato manezinho da Ilha
O verde

No restaurante Terramar, nos juntamos ao pessoal do Fazendo Trilhas pra comer um camarão, um peixinho e bater um papo

Chegou a hora do amigo secreto, e das surpresinhas que reservamos aos queridos coleguinhas..
A grande felizarda, na minha opinião, foi a Teresinha Tessaro, que levou para casa uma linda caneca personalizada do Luan Santana. Olha a cara de felicidade dela.
Mais um dia de interação com a natureza e nossos queridos amigos das trilhas. Queremos agradecer este ano especial ao Joel e à Ana, os "chefes" do Fazendo Trilhas, que com sua atenção e amizade estão sempre nos proporcionando momentos inesquecíveis. Um beijo e até 2012!
domingo, 18 de dezembro de 2011
Na trilha da Ponta do Rapa
Trilha da Ponta do Rapa, no extremo norte de Floripa
Dia 4 de dezembro de 2011
Dia 4 de dezembro de 2011
Saída na Praia Brava, devidamente uniformizados

Vista da primeira parada. Ao fundo, a Praia Brava
Segunda parada, um lugar mais lindo que o outro

Papai Joel e seu bastão mágico

segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Trilha Extremo Sul
7 de novembro de 2011 - Trilha junto ao Fazendo Trilhas no Extremo Sul da Ilha de Santa Catarina, com passagem pelas praias de Naufragados, Saquinho, Solidão, Açores e Pântano do Sul. Quem foi de busão, marcou encontro no TICEN para sair em grupo. Às 9 da manhã, muita gente reunida no Terminal do Rio Tavares, esperando o restante do grupo chegar.

Já no TIRIO, enquanto esperávamos pela tropa toda, rolou até uma pipoquinha do Figueira (para felicidade da Terezinha Tessaro)

Chegando na Caieira da Barra do Sul, começamos a subida do morro que leva à praia de Naufragados. Ô subida puxada (principalmente para quem está sem se exercitar há semaaaaaaaaaanas). Cruzamos relativamente rápido o morro e, ao chegar em Naufragados, paradinha básica para lanche e as primeiras fotinhos em grupo.

O próximo passo foi conquistar o morro que nos levaria ao Saquinho. As subidas são íngremes nesta etapa porque, afinal de contas, morro é morro. Passamos pela Ponta do Frade e paramos para almoçar na chamada ponta do Pastinho. Cada um escolheu uma pedra simpática e se escarrapachou nela. Rolou um bolinho de milho, feito pela Terezinha Tessaro. Acho o nome Comendo Trilhas, por sinal, bem simpático.

Mais alguns quilômetros nos levaram à praia do Saquinho. Por causa da dificuldade de acesso, o lugar é isolado e bastante limpo. A água é geladérrima e está ao alcance dos mais corajosos. As dezenas de tatuíras estão à disposição dos mais famintos.

Na praia da Solidão, a última parada turística foi a visita à Cachoeira do Rio das Pacas. Muita gente exausta mas, já que estávamos lá, não custava dar mais uma esticadinha. A subida foi de ma-tar (pessoalmente, botei os bofes pra fora). Lá em cima, encontramos uma pequena queda d’água, que escondia uma caverna mais ao fundo. Entre nós, apenas 4 trilheiros ganharam o Troféu Coragem, ao cair de boca nas águas gélidas da cachoeira.

A aventura estava quase acabando. Eu, é claro, tinha que terminar o passeio com estilo, me desequilibrando no último passo da descida e enterrando o pé direito numa poça de água monumental. E o Joel, é claro, tinha que fotografar o momento.

Chegamos à praia dos Açores perto das 16h. Logo que o grupo colocou o pé na praia, a chuva que vinha ameaçando resolveu cair. Quem tinha uma canga na mochila se cobriu, mas a maioria do grupo ficou encharcado. A única espertinha foi a Mileide, que trouxe uma capa de chuva e se safou do banho. Desesperados, aflitos e hipotérmicos, corremos rumo ao primeiro refúgio disponível, um pedacinho do céu no Pântano do Sul. Deste momento em diante, deixo em aberto o relato para quem permaneceu no restaurante. Meu desespero de chegar em casa, tomar um banho e fazer uma master xícara de café era tanto que acabei me despedindo do pessoal mais cedo. Mas, pelo que ouvi falar, os camarões estavam espetaculares...
Curiosidades desta trilha:
a) Estávamos em 24 aventureiros neste passeio. Trilha de intensidade difícil.
b) Encontramos uma panapaná no caminho até a praia do Saquinho. Segundo o Aurélio, é este o termo para um bando de borboletas. Acredito que a espécie que vimos seja a Morpho achilles achilles, popularmente conhecida como Capitão do Mato.
c) Segundo os trilheiros Willians e Ricardo, as frutinhas amarelas que vimos pelo caminho são as gabirobas. O cheiro lembra ligeiramente o do maracujá. Segundo a Dona Wikipedia, dá para fazer geléias, sucos, doces, sorvetes, pudins, licores e batidas de gabiroba. Outra opção são as gabirobas curtidas na cachaça. d) Percorremos um total de 13 km. No mapa abaixo, dá pra ter uma ideia do tamanho da encrenca.

Fotos: Ana Paula Laux, Fazendo Trilhas
domingo, 21 de agosto de 2011
Na trilha de Naufragados (de novo!)
INÍCIO DA TRILHA: 14:30h
Engana-se quem pensa que basta fazer um percurso uma vez para se conhecer o caminho. Uma trilha reserva detalhes e mistérios que se revelam aos poucos. Refazer trechos é reviver a jornada. Por isso, a segunda vez que fizemos a Trilha de Naufragados - no sábado, 20 - não foi apenas um dèjá vu. Se antes nos aventuramos sozinhos, agora trouxemos um peso extra (veja na foto abaixo, roendo as unhas) e nos juntamos ao grupo do Fazendo Trilhas.

A Trilha de Naufragados é uma das mais antigas de Florianópolis. Na verdade, esses caminhos se confundem com a própria história da cidade. A localidade é cercada de lendas e relatos que datam do século 16, quando pelo menos dois grandes naufrágios aconteceram naquelas águas. Em 1516, uma das embarcações da esquadra de Juan Díaz de Solís veio a pique, mas alguns sobreviveram e se refugiaram na praia, junto com os índios carijós. Nove anos depois, o navio São Gabriel afundou por ali, o que reforçou a fama do lugar. Não à toa, passaram a chamar de Ponta dos Naufragados, o que não impediu que mais desastres acontecessem por ali nos séculos seguintes.
No extremo sul da Ilha de Santa Catarina, a ponta e a praia dos Naufragados mantêm-se isoladas na medida do possível. Não existe energia elétrica nas poucas casas e alguns costumes permanecem centenários. Para chegar até lá, deve-se ir até a Caieira da Barra do Sul e seguir por uma trilha íngreme no meio da mata. Um caminho agradável, mas que faz os caminhantes suarem e perderem o fôlego...
Quando os trilheiros estão prestes a desmaiar, param para tirar fotos (e serem atendidos pelos paramédicos de plantão).
Tem gente que não perde o ânimo e até faz dancinha de Smurfs...
Embora o caminho exija tônus muscular e bom preparo físico, o pequeno Vinicius não se queixa: está cercado de fãs...
Desta vez, a trilha foi super-ultra-mega-giga-familiar. Foram amigos, filhos, pais e até a Aika, irriquieta mascote da Cacau Timm.

Diego, por sua vez, fez a trilha como quem faz promessa: colocou a camisa do time com devoção, rezando para um bom resultado no domingo. (Reze mais, Diego...)
Mas dizíamos que Naufragados é carregada de história. Para além de cemitério de navios, a localidade era estratégica para a defesa da Ilha. Em 1861, foi instalado um farol para orientar os navegantes e para reforçar o sistema de segurança da região. Próximo dali, surgiu o Forte Marechal Moura de Naufragados e o conjunto de canhões que até hoje estão apontados para o mar.
Do farol, tem-se uma das vistas mais sensacionais do sul de Florianópolis. Mas lá também é uma esquina dos muitos ventos que varrem a Ilha.
Na verdade, dizem que o Vento Sul mora por ali. Um vento que levanta a saia das moças, que remexe as folhas do quintal, que arrebenta a linha da pipa, que enverga as varas de pescar...
Um vento que traz más notícias, que sopra segredos, que carrega bons augúrios e que coloca os cabelos pra cima...
O mirante do farol permite visões como a de cima...
... e ao lado dos canhões de 120 milímetros, construídos em 1893, pode-se ter essa vista. Ou esta mira...
O precário equilíbrio das pedras de hoje faz lembrar a fragilidade da Ilha de séculos atrás. O sistema de defesa não funcionou. Houve invasões, disputas aconteceram, e a Ilha foi se reconfigurando. Não tanto nos seus contornos, mas no seu interior.
Hoje, a Ilha de Santa Catarina tem 400 mil habitantes e sofre outras invasões: de turistas no veraneio; de quem busca qualidade de vida ao longo do ano inteiro.

A Ilha sofre novas invasões, e a Trilha de Naufragados continua sendo a única ligação terrestre entre a ponta que assistiu tantos barcos adernarem e os caminhos que partem do sul. Curiosamente, quase quinhentos anos depois, as pessoas continuam caminhando por ali e se afogando naquelas belezas naturais...
FINAL DA TRILHA: 18:30h
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Na trilha das Cataratas
Outra parada obrigatória em Foz é o Parque Nacional do Iguaçu, que reúne a imponência da natureza, passeios e aventuras radicais e turismo bem organizado. O parque fica a uns 15 km do centro da cidade, e avenidas bem sinalizadas conduzem os visitantes até o local.
Em nossa chegada, levamos um sustinho: uma fila de 200 metros para se comprar os ingressos. Mas a espera não durou mais que 20 minutos, pois diversos caixas estavam atendendo.Ingressos na mão, fomos para a plataforma de embarque dos ônibus do parque: todos coloridos, de dois andares, novinhos em folha, e cada um deles pintado em homenagem a um animal da fauna brasileira: cotia, pica-pau, onça, cobra coral, tucano, jacaré...
Pegar o ônibus é essencial para chegar às cataratas. Afinal, elas ficam a 11 km da entrada do parque. O trajeto tem diversas paradas, em mirantes para ver as quedas d'água, na frente de um suntuoso hotel, e no Restaurante Porto Canoas, onde nos deliciamos com um almoço pra lá de especial.
O restaurante fica bem em frente às cataratas, tem mesas em ambiente fechado e no terraço. Foi lá que começamos a perceber mais ou menos onde estávamos...
Não é cartão postal não. É fotinho de máquina amadora feita por esses trilheiros num dos mirantes das cataratas. Nossa equipe de estatísticas informa que - quando cheio - o rio Iguaçu oferece naquela região nada mais nada menos que 270 pontos de queda d'água.
Tá bom pra você?
Uma passarela metálica permite aos visitantes chegar no olho do furacão. Nem todos têm coragem: por lá, venta muito e chove forte na horizontal. Isso mesmo. Impossível não se molhar. Mesmo com capa de chuva, Rogério ficou encharcado até os ossos...
Enquanto Rogério se arriscava pela família - afinal, não poderiam retornar daquela trilha sem registros fotográficos radicalmente maravilhosos -, enquanto Rogério se arriscava, Ana encantava borboletas, seguramente acomodada num dos mirantes.
Não parece uma fadinha?
Não rolou Photoshop não. O arco-íris é autêntico e não sai de lá. Parece plantado no chão...
Dois na Trilha levou um meio quilo nesta viagem também. Nos referimos ao sujeitinho de camisa listrada. Na fotinho ao lado, ele não desperdiça o momento e faz novas amizades com um quati esfomeado.
Água. Água. Água. Água. Água. Água. Água. Água. Água.

Mais água.
Mas as aventuras do Dois na Trilha não se resumem a roteiros turísticos sem emoção. Compramos um passeio radical também: passar com uma lancha inflável bem pertinho das quedas d'água. Advertência: impróprio para quem tem hidrofobia, cardiopatias e frescura no fiofó...
São trinta minutos radicais, enfrentando ondas, corredeiras, sacolejos e muita água na cara. Na cara e em outras partes, pois molha tudo viu? Não adianta tentar se preservar: o piloto da lancha é especialmente treinado para encharcar os passageiros. Vento, água gelada, cachoeiras furiosas, som de trovão nos ouvidos, arco-íris em todas as partes, emoção e sensação de liberdade.
Sen-sa-cio-nal!
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Na trilha do Parque das Aves
Como Florianópolis quase não tem passeios para se fazer, nem trilhas pra percorrer, decidimos dar uma esticadinha para conhecer as Cataratas do Iguaçu e o extremo oeste da região sul...
Da Ilha de Santa Catarina até Foz do Iguaçu são 950 km de estrada, que fizemos em dois dias pois não estávamos com pressa alguma...
Se você pensa que Foz do Iguaçu se resume a comprinhas no Paraguai está muito enganado. Na verdade, o destino é super turístico e, dependendo do seu perfil, o passeio pode até dispensar as conhecidas muambas...
Uma parada obrigatória é o Parque das Aves, que fica bem em frente ao Parque Nacional do Iguaçu, onde ficam as famosas cataratas.

O Parque das Aves é um refúgio de espécies de todos os tamanhos e cores. São araras, tucanos, papagaios, jandaias, mutuns, emas, flamingos, jacutingas, pavões, faisões, perdizes...
Os visitantes caminham pelas trilhas bem sinalizadas do parque e encontram viveiros divididos por espécies. O ambiente é limpo, arejado, colorido, bem conservado e alegremente barulhento pela cantoria dos diversos pássaros. O passeio reserva cenas encantadoras...

... como o namorico do casal de araras azuis grandes...

... ou a artimanha dos tratadores para "enganar" os flamingos. Note que no espaço dessas aves foram instalados placas de espelhos de maneira a ampliar a imagem das aves. Acostumados a viver em bandos de milhares de indivíduos, os flamingos se sentem mais protegidos quando têm a sensação de estar em comunidades numerosas...
Entre as trilhas do Parque das Aves, o visitante pode adentrar viveiros, onde os pássaros vivem soltos. Caminham pelo chão, sobrevoam as cabeças das pessoas, fazem dos corrimões poleiros... Como esse tucano aí...

Com um dia de céu aberto e sol abundante, alguns pássaros desfilam pelos gramados, buscando um bronzeado para ornar com suas plumagens...

Habituadas a receber visitas, as aves ficam muito próximas do público. É possível tocá-las, embora não seja recomendado.
Mas nem só de animaizinhos de penas vive o Parque das Aves. "Cuidado, papai! Lá vêm os répteis!!!"
Aqui, eles se resumem a cobras (sucuris e jibóias), dois jacarés grandalhões, uma penca de jabutis e tartaruguinhas. Aliás, para chegar até a namorada que estava numa plataforma sobre o laguinho, um desses cascudos nadou, nadou e trepou sobre as costas de um jacaré para pegar uma caroninha (confira no videozinho acima)

No Parque das Aves, há quem seja muito extrovertido, espaçoso e exibido. Mas existem os tímidos, os acabrunhados...
Tem os carentes, que não resistem a um cafuné...
... e os trilheiros, que, mesmo dentro de um parque, fazem do passeio uma expedição...

Borboletas, mariposas, aranhas, colibris cortam o espaço repleto de flores, plantas baixas, arbustivas e árvores centenárias.

Comidinhas especialmente preparadas para os habitantes são servidas por um batalhão de funcionários que também atendem aos visitantes, respondendo a perguntas, dando explicações sobre os hábitos das aves e zelando pelas gaiolas gigantes.
Enfim, o Parque das Aves é uma experiência única de contato direto com a natureza. Não é em qualquer lugar que se fica tão próximo dos pássaros, a ponto de sentir seus sons e cheiros, a maciez das penas que cobrem seus corpinhos, suas cores e movimentos ariscos.
A sensação é tão boa que nem se sente o tempo passar. Piscou e lá se foi a manhã. Nem dá vontade de deixar o lugar. Mas dá um desejo incontrolável de voltar...
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